domingo, 15 de abril de 2007

síntese da Mensagem e d' Os Lusíadas

SÍNTESE
Os Lusíadas e Mensagem

• Os Lusíadas e Mensagem cantam, em perspectivas diferentes, a grandeza de Portugal e o sentimento português.

• Nas duas primeiras partes da Mensagem é possível um diálogo com Os Lusíadas; em O Encoberto, Pessoa situa-se no momento em que o Império Português parece desmoronar-se por completo e, assume, então, o cargo de anunciador de um novo ciclo que se anuncia, o Quinto Império, que não precisa de ser material, mas civilizacional.

• Os Lusíadas são uma narrativa épica, que faz uma leitura mítica da História de Portugal. Em estilo elevado, canta uma acção heróica passada e analisa os acontecimentos futuros, cuja visão os deuses são capazes de antecipar.

• Fernando Pessoa, no poema épico-lírico, canta, de forma fragmentária e numa atitude introspectiva, o império territorial, mas retrata o Portugal que “falta cumprir-se”, que se encontra em declínio a necessitar de uma nova força anímica.

• Camões, n’ Os Lusíadas, propõe o povo português como sujeito da acção heróica.

• Camões inicia Os Lusíadas com “As armas e os barões assinalados”, mostrando que os nautas foram escolhidos para alargarem “a Fé e o Império”.

• Camões procura perpetuar a memória de todos os heróis que construíram o Império Português; Fernando Pessoa descobre a predestinação desses heróis, para encontrar um novo heroísmo que exige grandeza de alma e capacidade de sonhar, quando o mesmo Império se mostra moribundo.

• Os nautas, incluindo Vasco da Gama, são símbolo do heroísmo lusíada, do seu espírito de aventura e da capacidade de vivência cosmopolita.

• Em Os Lusíadas, Camões conseguiu fazer a síntese entre o mundo pagão e o mundo cristão; na Mensagem, Pessoa procura a harmonia entre o mundo pagão, o mundo cristão e o mundo esotérico (do ocultismo).

• Fernando Pessoa, na Mensagem, procura anunciar um novo império civilizacional. O “intenso sofrimento patriótico” leva-o a antever um império que se encontra para além do material.

• Estrutura tripartida da Mensagem:
— Nascimento
—Vida
— Morte/renascimento

• Os 44 poemas que constituem a Mensagem encontram-se agrupados em três partes:
— Primeira Parte — Brasão (os construtores do Império)
A primeira parte — Brasão — corresponde ao nascimento, com referência aos mitos e figuras históricas até D. Sebastião, identificadas nos elementos dos brasões. Dá-nos conta do Portugal erguido pelo esforço dos heróis e destinado a grandes feitos.

— Segunda Parte — Mar Português (o sonho marítimo e a obra das descobertas)

Na segunda parte — Mar Português — surge a realização e a vida; refere personalidades e acontecimentos dos Descobrimentos que exigiram uma luta contra o desconhecido e os elementos naturais. Mas, porque “tudo vale a pena”, a missão foi cumprida.

— Terceira Parte — O Encoberto (a imagem do Império moribundo, a fé de que a morte contenha em si o gérmen da ressurreição, capaz de provocar o nascimento do império espiritual, moral e civilizacional. A esperança do Quinto Império)

Na terceira parte — O Encoberto — aparece a desintegração, havendo, por isso, um presente de sofrimento e de mágoa, pois “falta cumprir-se Portugal”. É preciso acontecer a regeneração, que será anunciada por símbolos e avisos.

Ÿ Mensagem recorre ao ocultismo para criar o herói — O Encoberto — que se apresenta como D. Sebastião. Note-se que o ocultismo remete para um sentimento de mistério, indecifrável para a maioria dos mortais. Daí que só o detentor do privilégio esotérico (= oculto/secreto) se encontra legitimado para realizar o sonho do Quinto Império.

Ÿ Ocultismo:
— Três espaços, o histórico, o mítico e o místico;
— “A ordem espiritual no homem, no universo e em Deus”;
— Poder, inteligência e amor na figura de D. Sebastião.

Ÿ A conquista do mar não foi suficiente (o império material desfez-se, ou seja, a missão ainda não foi cumprida): falta concretizar este novo sonho— um império espiritual...

Ÿ A construção do futuro (a revolução cultural) tem que ter em conta o presente e deve aproveitar as lições do passado, fundamentando-se nas nossas ancestrais tradições.

Ÿ A atitude heróica é importante para a aproximação a Deus, mas o herói não pode esquecer que o poder baseado na justiça, na lealdade, na coragem e no respeito é mais valioso do que o poder exercido violentamente pelo conquistador — a opção clara pelo poder espiritual, pelo poder moral, pelos valores, …

Ÿ Em Mensagem surgem diversos mitos, nomeadamente o do Sebastianismo e o do Quinto Império. Ë possível também perceber outros mitos como o do Santo Graal (“Galaaz com pátria” era o Desejado, capaz de permitir o retorno do Graal, o símbolo da união e harmonia entre os povos), o das Ilhas Afortunadas (de “terras sem ter lugar”, como o Quinto Império), e o do Encoberto (dentro da mística rosacruciana em cujos princípios se deveria basear o Quinto Império). A concepção mítica leva, também, Pessoa a usar figuras como Ulisses e o Mostrengo, que o ajudam a explicar o passado dos Portugueses e a fazer a apologia da sua missão profética.

Ÿ Em Mensagem a voz narrativa da épica tradicional dá, constantemente, lugar à voz lírica, num discurso analítico-crítico, que reflecte sobre o passado heróico de conquistas, vibrando com o espírito do povo português, e expressa a visão e as emoções do “Eu” face ao acontecer histórico, muitas vezes num tom profético. Os poemas, em geral breves, apresentam uma linguagem metafórica e musical, bastante sugestiva, com frases curtas, apelativas e, frequentemente, aforísticas, onde abundam a pontuação expressiva e as perguntas retóricas.

In Preparação para o Exame Nacional 2006,
Português 12ºano

3 comentários:

Aisha disse...

Boa tarde. nao sei se este blogue ainda esta activo, mas precicsava memso da sua ajuda.
Estou a fazer um trabalho de Portugues que consite na comparaçao de descriçao do poema que faz referencia a d.dinis. Queria saber se me puderia ajudar de alguma maneira a analisar o poema mas na prespectiva de Luis de Camoes. Obrigada e desculpe o incomodo.

Unknown disse...

Pila

Pila disse...

Pila